A Mensagem Por Trás da Música

O fôlego de vida tu sopraste em mim Senhor,

És Rei de toda criação!

Imagem e semelhança feitas pelas tuas mãos.

Sou livre pelo teu amor

A criação do ser humano é, até hoje, um assunto cercado de mistérios

científicos. Porém, para nós, está acima de qualquer dúvida e de qualquer suspeita:

fomos criados por Deus. Foi Ele quem nos formou fisicamente, do pó da terra, e

soprou em nós o fôlego de vida – cumprindo, com isso, todo o projeto da Criação.

 

É interessantíssimo pensar que o ser humano foi a última das criações divinas.

Isso nos revela que fomos, de fato, a mais complexa e perfeita de todas as criaturas e,

por outro lado, exclui a hipótese de que o Homem teria ajudado Deus a formar a Terra

– não O ajudamos, o que se denota da pergunta feita por Deus a Jó: onde estavas tu –

ou qualquer da tua espécie – quando eu fundava a terra? [1].

 

Por fim, a postergação da criação do ser humano para o último dia revela a

especialidade que cercou esta criação; o que se reflete na própria maneira excepcional

com a qual Ele nos fez: imagem e semelhança feitas pelas tuas mãos.

 

A Bíblia nos diz que, ao criar o ser humano, Deus disse: Façamos o homem à

nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e

sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que

se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o

criou; homem e mulher os criou [2].

 

Há uma profundidade muito grande em dizer que fomos feitos a imagem e

semelhança de Deus.

 

Em primeiro lugar, destacamos a forma como o Criador anuncia a criação do

ser humano. Ao que podemos perceber, todas as criações anteriores foram realizadas

por meio de comandos, por exemplo: haja luz; haja uma expansão no meio das

águas [3]. Na nossa criação, porém, Deus utiliza-se de um tom muito mais singelo:

façamos o Homem a nossa imagem e segundo a nossa semelhança. Repare que a

Trindade se reúne, no último dia, para realizar seu último ato criador de maneira a

deixar claro que este é, de fato, sua obra prima. Há algo de especial, de mais profundo

e mais íntimo na criação do ser humano, se comparado às demais criações.

 

Isso tem a ver justamente com esta característica especial que Deus nos

reservou: sua imagem e semelhança. Isso não significa que nós somos um boneco de

cera divino. A fala do Senhor não se refere aos aspectos físicos de sua imagem, mas

sim a aspectos intelectuais, morais e espirituais.

 

Ao criar o homem, o Espírito de Deus soprou em nós a vida e nos deu uma

alma. Em seu Comentário Bíblico, Matthew Henry afirma que a alma é um ser

espiritual, um ser inteligente e imortal, um ser influente e ativo, que lembra Deus, o

Pai dos espíritos, e a Alma do mundo. O espírito do homem é a candeia do Senhor. A

alma do homem, considerada em suas três nobres faculdades – entendimento,

vontade e poder ativo -, talvez seja o espelho mais brilhante e mais claro em termos

de natureza, através do qual possamos ver a Deus [4].

 

De fato a compatibilidade da nossa imagem à do Criador deu-nos um atributo

único dentre todos os demais seres criados – a capacidade para refletirmos a natureza

divina no mundo recém-criado. É impressionante pensar que Deus elegeu-nos, dentre

todos os seres criados, para sermos os representantes de sua moral perfeita, de sua

Justiça e do seu amor. Ele nos confiou um intelecto profundamente complexo, uma

capacidade incrível de raciocínio, sentimentos maravilhosos e a flexibilidade de

sonhar e projetar o futuro – instrumentos todos a serem utilizados para Sua glória;

para que o mundo, em última análise, fosse um espelho da natureza divina.

 

Não somente isto, mas Deus nos empoderou para dominar as demais criaturas,

isto é, conferiu-nos autoridade sobre a Terra, natureza e animais para que

desenvolvêssemos a harmonia e a comunhão durante nossa “missão povoadora” [5].

 

Por fim, Deus concedeu-nos uma moral pura e reta, apta para a imortalidade [6].

Não nos criou para a morte, nem para o pecado, mas para a vida e para a

espiritualidade; esculpiu em nós o Seu caráter.

 

Segundo Matthew Henry, assim santos, e assim felizes eram os nossos

primeiros pais, que traziam em si mesmos a imagem do precioso Deus [7].

 

Diante de tudo isso, podemos ver quanto amor cercou a criação do ser

humano. Nossa especialidade em relação às demais criaturas revela que, desde o

princípio de tudo, Deus já nos amou.

 

Contudo, parece-nos que a prova mais eloquente deste amor está no presente

especial que nos foi dado, no bojo das características que se reúnem ao falarmos da

imagem e semelhança de Deus: o livre-arbítrio.

 

Seria ceifar-nos desta semelhança à natureza divina se Deus não nos

concedesse a capacidade de autodeterminação, de escolha em relação às nossas

próprias condutas.

 

Em seu amor perfeito, Deus nos capacitou com a liberdade para que

pudéssemos potencializar o aproveitamento de nossos atributos especiais – mesmo

que isso custasse (como custou) nosso relacionamento com Ele.

 

Deus nos fez livres porque nos amou – sou livre pelo teu amor!!!

 

Imaginemos um pai que dá ao filho, no Natal, um carrinho de controle remoto,

porém esconde do filho o controle pois sabe que, cedo ou tarde, o brinquedo vai se

quebrar na mão do menino. Este pai estaria limitando a potencialidade da diversão e

da brincadeira do filho. E não foi isso que Deus fez conosco – Ele nos deu o controle,

mesmo sabendo que o brinquedo poderia quebrar. E, de fato, o brinquedo quebrou.

Por isso que esta música não estaria completa se não fosse pela segunda

estrofe.

 

O último suspiro não negaste em meu favor

És Rei da minha salvação

E agora vida eterna encontrei aos pés da cruz

Sempre te adorarei, Jesus

 

O fôlego de vida foi soprado em nós por Deus e, por meio do nosso livre

arbítrio, pudemos tomar todos os demais fôlegos como bem entendemos... E isso nos

levou à morte. Quando, porém, estávamos sendo levados ao matadouro, prontos para

sermos executados pelo pecado, Ele, Jesus, tomou a forma humana para “respirar”,

por nós, nosso último suspiro – o último suspiro não negaste em meu favor.

 

E, tomando o último suspiro na cruz, Jesus tornou-se rei da minha Salvação.

 

A eternidade que um dia o ser humano havia perdido, como consequência do

pecado original nos foi dada outra vez por Deus, por meio do plano perfeito da

salvação, o qual envolveu tomar a forma humana (emprestar de nós nossa imagem física), viver com limitações humanas e ser morto da forma mais humilhantes – e

agora vida eterna encontrei aos pés da cruz.

Diante de tudo isso, temos vida eterna em Jesus – sempre te adorarei Jesus.

 

E eu sou Teu, tudo entrego, meu Deus

Meu respirar é pra te louvar

Com força teu nome vou gritar

Para o mundo inteiro vou declarar

 

Santo é teu nome

Minha vida está em Ti

 

O refrão da música se apresenta como a grande conclusão de tudo quanto foi

louvado. Depois de refletirmos a respeito da forma como Deus criou a vida em nós e

depois de entendermos que, mais do que isso, Ele nos garantiu acesso à vida eterna,

não temos outra reação senão a de dizer e eu sou Teu, tudo entrego, meu Deus.

 

Ora, tanto nossa vida terrena (com todos nossos atributos físicos e psíquicos)

como nossa vida eterna (herdada ao aceitarmos Jesus como Salvador) foram-nos

dadas por Ele. Assim, cada fôlego que tomamos deve ser uma resposta de gratidão

por tudo o que Ele nos deu – meu respirar é pra te louvar.

 

E não só isso, mas não nos contentamos somente em termos a Salvação dentro

de nós – escolhemos espalhá-la ao mundo e cumprir com o chamado da

evangelização; afinal, não é outra a nossa “função original” na terra senão a de refletir

em nós a natureza de Deus. Por isso, com força teu nome vou gritar; para o mundo

inteiro vou declarar que Santo é Teu nome, minha vida está em ti!

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[1] Jó 38.4

[2] Gn. 1:26

[3] Repare no trecho: E disse Deus: Haja luz; e houve luz. E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas. E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro. E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas, e haja separação entre águas e águas. (Gn 1:3-6).

[4] Comentário Bíblico: Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio, Matthew Henry, p. 9.

[5] [...]e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra (Gn 1:26).

[6] Comentário Bíblico Beacon: Gênesis a Deuteronômio, George Herbert Livingston et. al., p. 33.

[7] Comentário Bíblico: Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio, Matthew Henry, p. 9.