• Belemitas

País Tropical



Jorge Ben Jor compôs País Tropical em 1969. Na música, reuniu-se todos os elementos que compunham o principal produto de exportação de nossa nação: abençoada por Deus; bonita por natureza; em fevereiro tem carnaval; o Mengão joga domingo; tenho um fusca e um violão. Todos os amigos se juntam em casa, meus camaradinhas; essa é a razão da simpatia, do poder, do algo mais e da alegria.


Tantas vozes eternizaram a canção que ela virou hino popular. Quando ouço, fecho os olhos e me vêm à mente nosso verde-amarelo e uma praia ensolarada, com água cristalina e areia branquinha... Moro num país tropical!


Durante muitos anos esse sedativo funcionou. Onde se abriam crises, o samba, futebol e a leveza tratavam logo de colocar um band-aid. Corrupção? Que nada, é o jeitinho brasileiro... Brasileiro é assim; encontra atalho pra tudo... Não é maldade, é nosso jeito. A gente gosta é de levar vantagem – um leva vantagem aqui e o outro acolá, todo mundo sai ganhando; todo mundo sai feliz. E, sabe o que é melhor no Brasileiro? Vou te falar... Pense num povo caloroso! Brasileiro é assim: amigo. Recebe os gringos super bem, faz os cara se sentirem como se fossem daqui, da terra. Até tem violência, até tem gente morrendo, até tem criança na rua... Mas, que país que não tem dessas coisas, gente??? Nós... Nós somos um povo diferenciado. Olha esse Rio de Janeiro, essas praias... Olha a Amazônia... Ma-ra-vi-lho-so!!! Aqui não tem terremoto, aqui não tem furacão! E o povo... Todo mundo se ama! Quanto tem Copa, então, é uma energia que contagia!!! Esse Brasil... País tropical, abençoado por Deus.


Já faz um tempo que a música parou. E eu não encontro o tom certo para voltar a cantar. Já faz um tempo que estamos percebendo o Brasil; estamos sentindo, estamos entendendo.


“É culpa dos outros; dos poderosos”, você pode dizer. Mas eu, eles e você somos o Brasil – eu sei, é clichê que em uma democracia os liderados têm os líderes que merecem, mas nem por isso deixa de ser verdade.


Agora, sério... Para onde estamos indo?


Sabe o Flamengo, da música? Então, um incêndio no seu centro de treinamento matou 10 adolescentes[i].


Sabe o País Tropical? Então, as chuvas de início do ano foram tão devastadoras que 7 pessoas morreram no Rio de Janeiro[ii] e outras 13 em São Paulo[iii]; fora aqueles que perderam casas, comércios e tudo o que tinham.


Sabe os camaradinhas? Então, hoje eles se conectam na deep web para incentivar atrocidades, como se cogita ter ocorrido no terrível ataque a uma escola pública em Suzano, na Grande São Paulo: 10 mortos e 9 feridos[iv].


Estamos afogando em um grande lamaçal. Como destacou Alê Araújo em brilhante texto sobre a música Acredito, vivemos dias de desespero; onde incerteza e medo há (se você ainda não leu, clique aqui).


Estamos, sim, estarrecidos e já pensamos duas vezes antes de abrir nossas bocas para dizer que vivemos em um país abençoado por Deus. Nessas horas, não são raros os comentários de pessoas que, talvez no calor da emoção, cogitam se Deus teria se esquecido de nós. Sobre isso, é preciso lembrar: Será que uma mãe pode esquecer do seu bebê que ainda mama e não ter compaixão do filho que gerou? Embora ela possa se esquecer, eu não me esquecerei de você! (Isaías 49:15, NVI).


Mas uma questão é válida: nessa história toda, quem se esqueceu de quem? Ou melhor, quem se esqueceu do que?


É inegável que os acontecimentos recentes nos chocam, paralisam e tiram muito de nossa capacidade de reação. De repente, o maior desejo que temos é de entrar em nossas casas, trancar as portas e proteger nossas famílias. O desespero é como um soco no peito, que nos derruba no chão e nos faz não querer mais sair de lá. E, ali mesmo, deitados, oramos pedindo proteção: que Deus guarde os nossos, que Deus conforte os outros, que Deus tenha misericórdia.


E, diante de tudo isso, simplesmente nos esquecemos...... Do que? Da nossa Missão: Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos (Mateus 28:19,20, NVI).


Este não é o momento para nos fecharmos em nossos problemas e abraçarmos os nossos travesseiros esperando o tempo passar e o mal acabar.


Esse é o momento de fazer discípulos em todas as nações, a começar pela nossa nação! O projeto de Jesus foi ousado e a Igreja foi estabelecida para alcançar não apenas indivíduos, não apenas comunidades, mas nações inteiras!


A garantia da presença dEle até o fim dos tempos já temos. Entreguemos, pois, nossa vida à causa, com coragem e esperança de que o melhor de Deus para o Brasil está à nossa frente.


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[i] https://veja.abril.com.br/brasil/o-que-se-sabe-sobre-o-incendio-no-ct-do-flamengo/

[ii] https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2019/02/09/morre-mais-uma-vitima-do-temporal-no-rj.ghtml

[iii] https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/03/11/veja-quem-sao-os-mortos-por-causa-da-chuva-na-grande-sp.ghtml

[iv] https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/03/14/mp-de-sp-apura-se-organizacao-criminosa-na-deep-web-incitou-assassinos-a-cometerem-massacre-em-suzano.ghtml