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Paz de Deus x Paz do Mundo

(Parte 1 – Origem e significado da paz de Deus)


Paz de Deus x Paz do Mundo (Parte 1 – Origem e significado da paz de Deus)

Ultimamente, muito se tem falado acerca da paz na relação consigo: o famoso sentir-se bem e se aceitar dentro das circunstâncias nas quais a vida está inserida. Fenômeno desafiador em um mundo de pandemia, crises político-econômicas, guerras e tanta incerteza. Não é à toa que cursos e práticas de mindfulness encontram tamanha acolhida em nossos dias. Daí que se torna imprescindível refletir sobre como podemos alcançar a tão almejada paz interior sob a perspectiva cristã.


Os versos bíblicos mais conhecidos acerca do tema em estudo fazem parte das orientações de Paulo aos Filipenses. Já no final da carta que lhes destinara, o apóstolo valeu-se de um estilo enfático para destacar certos assuntos, dentre os quais, escreveu:


Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus. (Filipenses 4:6-7)

O interesse em desvendarmos as palavras de Paulo é ímpar. Vale lembrar que ele estava preso ao escrevê-las (Filipenses 1:7 e 1:13) e tinha por objetivo orientar uma igreja igualmente perseguida (Filipenses 1:28-30). Por isso, já chama a atenção que a abordagem de Paulo acerca do tema não será meramente teórica, como de alguém que fala em paz no sentido metafísico/filosófico, mas marcadamente prática, impregnada pela experiência de alguém que efetivamente tem paz em meio às tribulações e quer ensinar a um grupo igualmente atribulado como desenvolvê-la.


Assim, ao longo dos próximos três textos analisaremos com calma e profundidade como podemos alcançar paz.


Origem da Paz.


Logo de início, devemos destacar que, ao se referir à paz, Paulo não apenas a nomeia como identifica a sua origem: paz de Deus. Então, resta-nos concluir que deve haver outra paz que não seja originária de Deus, a qual é excluída da aproximação paulina. A própria Bíblia aborda essa problemática e a dicotomia entre a paz divina e uma “outra paz” é evidenciada em uma das mais famosas preleções de Jesus, diante de seus discípulos durante a Ceia que precedeu suas prisão e morte:


Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize. (João 14:27)

Em um momento de intensa expectativa e aflição, já sabedor do que enfrentaria em breve, Jesus oferece aos discípulos a sua paz e indica ser ela diferente da paz que o mundo pode dar. Aqui, portanto, fica clara a dicotomia entre a paz de Deus (que é a mesma de Jesus, obviamente) e a paz do mundo. Isso mesmo, o mundo também tem paz a nos oferecer, porém, como veremos a seguir, somente a paz de Jesus é verdadeira e infalível.


Notemos que o contexto em que Jesus fala acerca da paz assemelha-se àquele em que Paulo escreve: perseguição, incerteza e angústia os cercam. Sentimentos e pensamentos que tirariam a paz de qualquer ser humano em posição semelhante. Imagine-se preso, ameaçado de morte, perseguido, incerto acerca do futuro, e terá uma pequena amostra das circunstâncias nas quais Jesus e Paulo dissertaram sobre paz. Que propriedade teriam para falar acerca do tema, se não fossem, eles próprios, portadores dela? É isso que se denota no fato de Jesus “deixar” a paz aos discípulos. O verbo, no original grego (aphienai), traduz-se melhor como “lego-vos”, isto é, deixar como um legado (herança). Todos sabemos que não se pode deixar por herança aquilo que não se tem; Jesus tinha (e ainda tem) paz e todos os que são filhos de Deus podem recebê-la por herança, para além da paz que o mundo, deficientemente, tem para nos oferecer.


Mas, qual é a grande diferença entre a paz de Deus e a paz do mundo?


Esta resposta nos é fornecida por Paulo. Vejamos.


O sentido da paz de Deus.


A paz de Deus excede todo o entendimento. É comum falarmos acerca desta paz como sendo aquela que “não conseguimos compreender”. Permita-me aprofundar a explicação. Algo que excede o entendimento, naturalmente posiciona-se em um plano superior ao do entendimento, isto é, está além do entendimento e, por isso, não necessita dele para se manifestar. Por outro lado, a paz que o mundo nos oferece é uma paz dependente do entendimento – nisso se diferenciam paz de Deus e paz do mundo.


Para que tenhamos a paz que o mundo oferece, precisamos viver um estado de completo conhecimento e controle acerca das circunstâncias da vida. A falta de informações acerca de um fato, a incerteza sobre o futuro, o desconhecimento das causas do passado, são todos fatores que indicam um entendimento incompleto sobre as coisas e, por isso, têm alto potencial para levarem a paz do mundo embora. Perder o controle sobre situações também é indicativo de que, logo, perderemos a paz. O problema é que temos muito mais desinformações do que informações e, nessa toada, ter a paz que o mundo pode nos oferecer torna-se uma realidade improvável. Somos pegos diariamente com pensamentos de desconhecimento sobre o futuro; desenvolvemos medos e fobias de coisas com as quais não temos contato; ficamos aflitos por casos sobre os quais temos poucas informações. Basta visualizar a evolução da pandemia que teremos prato cheio para atestar o quanto informações incompletas são passíveis de tirar nossa paz. Até mesmo a falta de entendimento sobre coisas que aconteceram no passado torna-se impeditivo para levarmos uma vida saudável (maior exemplo é a não superação de perdas de entes queridos).


A boa notícia é que existe uma paz que opera em nós ainda que não tenhamos todas as informações e todo o controle que gostaríamos de ter acerca de nossa vida. Existe uma paz que excede o entendimento e, justamente por isso, descarta-o para que seja real. Loucura, não? Pois é, mas a loucura de Deus é mais sábia que a sabedoria humana (1 Coríntios 1:25).


Assim, para ter a paz de Deus, não é preciso que surjam novas situações ou oportunidades. Aliás, não é preciso que nada ao seu redor mude, a não ser você!


Quer saber como isso é possível?


Fique conosco e descobriremos no próximo texto da coluna “Você se parece com alguém”.



Leonardo Dantas Costa - Belemitas



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