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Paz de Deus x Paz do Mundo

Atualizado: Mar 17

Parte 2 – Como alcançar a paz de Deus



No primeiro texto da série Paz de Deus x Paz do Mundo (clique aqui se você ainda não o leu!), conceituamos paz de Deus, destacando em que se diferencia da paz que o mundo nos dá. Ao final, concluímos que a paz de Deus se estabelece ainda que situações desafiadoras ou difíceis estejam nos rodeando, precisamente porque não se baseia nas circunstâncias da vida, senão em atitudes positivas/negativas que produzem mudanças interiores. No segundo texto da série, exploraremos quais são estas atitudes.


Inicialmente, lembremo-nos do que é a paz de Deus, registrada em Filipenses 4:7.


E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus. (Filipenses 4:7)

Perceba que este versículo se inicia com um advérbio conectivo (“E”). Conforme ensinam os amantes da análise sintática, esses advérbios têm a função de conectar duas orações, expressando qual a relação entre elas – a “paz de Deus” liga-se com algo que foi dito anteriormente. Neste caso, estamos diante de um advérbio conectivo que indica conclusão, portanto, a paz de Deus é uma consequência do que Paulo vinha indicando no versículo 6 e, por isso, se estabelecerá em nós a partir do momento que praticarmos as seguintes ações:


1. Não nos inquietarmos com coisa alguma.
2. Fazer nossas petições em tudo conhecidas diante de Deus, por oração e súplica, com ações de graça.
(Filipenses 4:6).

Importante ficar claro, neste primeiro momento, que a paz de Deus, muito embora exceda nosso entendimento (sendo, portanto, sobrenatural), manifesta-se em nós a partir de escolhas e atitudes naturais que podem ser determinadas pelo nosso intelecto e praticadas através de nossos sentidos. Há uma relação bastante interessante entre o que decidimos adotar como prática diuturna e as coisas sobrenaturais que decorrem disso. Trata-se do espectro de participação no Reino de Deus que Ele nos confere, atribuindo-nos a responsabilidade de manifestarmos aquiescência à sua vontade, para que ela produza em nós o fruto para o qual fomos chamados (v. João 14.13).


Diante disso, temos uma orientação completamente prática, deixada por Paulo, para que alcancemos a tão desejada “paz de Deus”. Analisemos as atitudes que o apóstolo nos ensina a ter:


1. Não nos inquietarmos com coisa alguma.


Essa orientação de Paulo é nitidamente preventiva. A inquietação é o primeiro passo de uma cadeia de sentimentos que nos levam a graves males psicossomáticos que estão na ordem do dia em nossa cansativa sociedade pós-moderna. Inquietar-se representa o despertamento inicial e incômodo que sobrevém sempre que algo sai de controle ou entendimento. Se não cuidarmos dessa inquietação, ela logo evolui para uma preocupação, que é a permanência do tema em nosso nível de consciência, ocupando o lugar de outros pensamentos que poderiam nos ser úteis e bons. Por sua vez, a preocupação produz ansiedade, pela qual a ocupação mental escancara nossa impotência em lidar com situações que tiram nossa tranquilidade. Até que, em um limite indesejado, porém cada vez mais comum, a ansiedade protagoniza a chamada síndrome do pensamento acelerado, na qual o fardo mental deixa de se relacionar a um fato específico e passa a tomar conta de toda a nossa existência. Diante dessa sequência maligna, Paulo é enfático: não estejais inquietos significa cortem o mal pela raiz. Para que isso seja efetivo, há um segundo passo importante, o qual deve ser a atitude imediata do cristão que se depara com qualquer inquietação, por menor que possa parecer. Vejamos a seguir.


2. Fazer nossas petições em tudo conhecidas diante de Deus, por oração e súplica, com ações de graça.


Nossas petições são justamente os fatores que nos trazem inquietações. Por isso, Paulo nos alerta que, antes de nos inquietarmos, devemos expor a Deus quais são os motivos que nos afligem. E, observe bem: expô-los ao conhecimento de Deus em sua totalidade. Isso é significativo, já que nem sempre nós falamos com Deus acerca de todas as nossas inquietações. Aliás, nem sempre nossa primeira reação à inquietação é falar com Deus. Quantas vezes tentamos resolver o problema de imediato, ou buscamos o conselho de um amigo, ou, até mesmo, tentamos negar sua existência? Por isso, devemos ter em mente que a reação imediata do cristão, à primeira vista de uma possível aflição, é contar para Deus o que está acontecendo – em todos os seus mínimos detalhes. O Senhor onisciente conhece todas as coisas, mas há uma diferença enorme quando nós reconhecemos total dependência de Sua autoridade, pois nisso professamos uma resposta de adesão à sobrenaturalidade de Seu poder.


Paulo vai mais além e afirma que há uma forma correta de expor nossas petições diante de Deus: por oração e súplicas. Imagine que você tenha que tomar um ônibus na Zona Leste de sua cidade para ir até o Centro. Você escolhe a linha que vai à Zona Sul, à Zona Oeste ou aquela que vai ao Centro? É uma pergunta tola com resposta óbvia, porém, aplica-se aqui. Nós não tomamos conduções erradas para nos transportar, da mesma forma como nossas petições não podem tomar conduções erradas para chegarem até Deus. A verdade é que confundimos veículos quando apresentamos petições a Deus; às vezes, pedimos que outros orem por nós; outras vezes, usamos de murmuração para que Deus conheça delas; ou, ainda, omitimos deliberadamente de Deus, sob o argumento de que “ele já conhece meus problemas”. Nada disso é eficiente quando o assunto é conquistar a “paz de Deus”. A forma correta para que Deus conheça efetivamente de nossas petições é por meio de nossas orações e súplicas. Por isso, vá para o seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em secreto (Mateus 6:6a).


Por fim, o apóstolo prisioneiro aborda qual deve ser o conteúdo de nossas orações: ações de graças. Parece paradoxal falar em “petições” apresentadas com “ações de graças”. Afinal, como seremos gratos se ainda estamos pedindo? Tudo depende da abordagem que temos ao tema “gratidão”. Se a enxergamos como uma simples resposta, então será, de fato, impossível sermos gratos por algo que ainda não recebemos. Porém, se a enxergamos como um estilo de vida baseado em um coração adorador, então a gratidão é fluência automática da vida cristã. Todo cristão é grato quando ora, pois a própria oração, independente do tema que carregue, é, por si só, resultante da graça superabundante de Jesus Cristo. Importantíssimo perceber este conteúdo tão singelo da oração em busca de paz, já que muitas vezes nós, de fato, oramos, porém, sem demonstrarmos gratidão – oramos com ares de desabafo, de barganha, de reclamação... Nesses termos, é impossível encontrar a paz. Daí que é felicíssima a letra da tradicional canção “Em Fervente Oração”, hino 577 da Harpa Cristã, que diz: se orares, porém, sem o teu coração ter a paz que o Senhor pode dar//foi por Deus não sentir que tua alma se abriu, tudo, tudo, deixando no altar. Poderosos são os efeitos da oração que expressa abertura sincera e grata da alma perante o Senhor Jesus.


Não há como negar que tais atitudes envolvem esforços humanos. Lutamos contra os próprios sentimentos para superarmos inquietações; anulamos o orgulho próprio e a autossuficiência ao orarmos por paz. Mas, este é o nosso papel de busca ativa pela paz de Deus. O resultado disso, como Paulo expressa em termos conclusivos, é uma blindagem sobrenatural de paz que rodeia nossos corações e sentimentos. Sobre essa blindagem, falaremos no terceiro e último texto da série.


Fique conosco e até a próxima!






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